Quando a minha esposa disse que queria ir nesta terça-feira
ao feijão ilustrado eu achei que seria uma ótima ideia, afinal, ela estuda
Design na UFRJ e iria encontrar com amigos do curso e eu, que sempre gostei de
rabiscar, teria a oportunidade de conhecer um ambiente novo, conversar com
pessoas novas e divertir um pouco. O local do evento ficava em Botafogo, nunca
havia ido lá. De acordo com a programação, ainda haveria um modelo vivo para
desenho, sorteio de brindes e a presença do autor de “Nem Morto” que estaria lançando
e vendendo seus livros.
Como todo assalariado, minha primeira preocupação é com o
dinheiro. Afinal, final de mês, as contas já estão querendo rodar, então se tem
que entrar em programas que caibam no bolso. O evento cobra como entrada R$
5,00. Só por aí já se vê que, mesmo sendo um bar Cult, numa terça-feira, no
ponto mais afastado de Botafogo, ainda assim queriam uma clientela ainda mais
selecionada. Entrei no site do bar e vi os preços que não eram nada
convidativos, mas ainda assim montei um cardápio legal e fui crente que com uns
cinquenta contos no bolso iria conseguir me divertir a valer.
Chegamos ao local, parecia até uma boate: Muros altos,
correntes, segurança na porta... Fomos bem recebidos pela moça que estava na
recepção e que nos explicou como o evento funcionava. Lá dentro o lugar era até
maneiro, uma casa adaptada para virar um boteco. Vários ambientes, dois andares
e tal. Pensei comigo que a noite poderia até ser legal, mas aí veio a lenhada:
o cardápio. Cara! Esqueça o preço da internet, aquilo era preço do século XX.
Véi, lá se foi o meu espírito da alegria, as musas gregas das artes fugiram de
perto de mim e passei a noite conversando com dois colegas da minha esposa e
foi só.
Na hora da saída, hora de pagar, né? Eu e minha esposa
consumimos uma água mineral e um guaraná. Véi, foi vinte e um contos! Os caras
me cobraram até os 10% do garçom! Pra quem anda de ônibus e acostumado a ver o “amigo
camelô” vendendo água a R$ 1,00 e refri lata a R$ 2,00, sentiu no fígado o que
é ser operado sem anestesia! Saí de lá com o sentimento de quem estava no
Porcão, um dos restaurantes mais caros e famosos do Brasil, mas sem ter comido
carne nenhuma.
Hoje ficou a reflexão, eu que nem sou governista entendi a
importância das cotas raciais nas Universidades Públicas. Mais do que isso! O
feijão deixou mesmo de ser um produto popular e um exemplo dos ideais de
liberdade, igualdade e fraternidade.
O sistema do feijão me excluiu!... Cara, que saudade o boteco
do Moraes!

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