quarta-feira, outubro 24, 2012

Feijão ilustrado, a desventura de um artista amador assalariado




Quando a minha esposa disse que queria ir nesta terça-feira ao feijão ilustrado eu achei que seria uma ótima ideia, afinal, ela estuda Design na UFRJ e iria encontrar com amigos do curso e eu, que sempre gostei de rabiscar, teria a oportunidade de conhecer um ambiente novo, conversar com pessoas novas e divertir um pouco. O local do evento ficava em Botafogo, nunca havia ido lá. De acordo com a programação, ainda haveria um modelo vivo para desenho, sorteio de brindes e a presença do autor de “Nem Morto” que estaria lançando e vendendo seus livros.

Como todo assalariado, minha primeira preocupação é com o dinheiro. Afinal, final de mês, as contas já estão querendo rodar, então se tem que entrar em programas que caibam no bolso. O evento cobra como entrada R$ 5,00. Só por aí já se vê que, mesmo sendo um bar Cult, numa terça-feira, no ponto mais afastado de Botafogo, ainda assim queriam uma clientela ainda mais selecionada. Entrei no site do bar e vi os preços que não eram nada convidativos, mas ainda assim montei um cardápio legal e fui crente que com uns cinquenta contos no bolso iria conseguir me divertir a valer.

Chegamos ao local, parecia até uma boate: Muros altos, correntes, segurança na porta... Fomos bem recebidos pela moça que estava na recepção e que nos explicou como o evento funcionava. Lá dentro o lugar era até maneiro, uma casa adaptada para virar um boteco. Vários ambientes, dois andares e tal. Pensei comigo que a noite poderia até ser legal, mas aí veio a lenhada: o cardápio. Cara! Esqueça o preço da internet, aquilo era preço do século XX. Véi, lá se foi o meu espírito da alegria, as musas gregas das artes fugiram de perto de mim e passei a noite conversando com dois colegas da minha esposa e foi só.

Na hora da saída, hora de pagar, né? Eu e minha esposa consumimos uma água mineral e um guaraná. Véi, foi vinte e um contos! Os caras me cobraram até os 10% do garçom! Pra quem anda de ônibus e acostumado a ver o “amigo camelô” vendendo água a R$ 1,00 e refri lata a R$ 2,00, sentiu no fígado o que é ser operado sem anestesia! Saí de lá com o sentimento de quem estava no Porcão, um dos restaurantes mais caros e famosos do Brasil, mas sem ter comido carne nenhuma.

Hoje ficou a reflexão, eu que nem sou governista entendi a importância das cotas raciais nas Universidades Públicas. Mais do que isso! O feijão deixou mesmo de ser um produto popular e um exemplo dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

O sistema do feijão me excluiu!... Cara, que saudade o boteco do Moraes!

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